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por Valcapelli, colunista ONNE
(Foto:
Ilustração)
São Paulo, setembro de 2010 - A vida oferece a todo instante
conteúdos que passam a fazer parte do nosso mundo interior. São
ocorrências agradáveis ou desagradáveis com as quais nos deparamos
rotineiramente. A cada momento surgem eventos que nos circundam,
sejam situações concretas, informações passadas por alguém, ou cenas
a que assistimos na televisão, etc. Tudo isso faz parte da realidade
exterior e desfila à nossa volta, mas somente irão compor o nosso
interior se lhes dermos permissão para “entrar”.
Quando nos identificamos com uma situação, imediatamente
interiorizamos aquele conteúdo, é como se tivéssemos comprado aquela
idéia, colocando-a em nosso interior. A atenção dirigida aos eventos
externos representa uma forma de negociação que estabelecemos com as
ocorrências cotidianas. Prestar atenção implica no envolvimento
emocional e energético, consequentemente deslocamos energia para o
meio. Esse potencial energético é uma espécie de moeda corrente da
vida, que possibilita as interiorizações dos conteúdos existenciais.
É comum dizer que algo está nos “pegando”; no entanto nada nos
“pega”, somos nós que nos apegamos ao que se passa ao redor. Quando
nos preocupamos com determinadas ocorrências é que estamos apegados
a elas. De certa forma permitimos que os componentes exteriores
tornassem parte da nossa constituição. Sentimo-nos invadidos pelos
fatores negativos que nos afetam perturbando a paz interior.
Por outro lado, em se tratando de algo bom, somos contagiados
positivamente. Nesse caso vale a pena preservar em nosso interior as
lembranças boas das situações vivenciadas. Isso promove bem-estar.
Uma vez que interiorizamos, usufruímos dessas aquisições. Caso sejam
elas positivas, teremos um ganho de bem-estar, caso negativas, geram
tensões, preocupações e outros estados emocionais desagradáveis.
Devemos cultivar o que é bom e desprendermo-nos de tudo aquilo que
faz mal. Afinal quem introjeta os conteúdos externos somos nós
mesmos; despojar desses ingredientes existenciais que perturbam,
depende somente de nós. Além desse processo de adesão aos
componentes exteriores definidos como “compra”, existe também aquilo
que ofertamos ao mundo, podendo ser associado àquilo que “vendemos”.
A forma como interpretamos e elaboramos os acontecimentos gera um
ponto de vista que será disseminado em forma de comentários para as
pessoas que nos rodeiam. A maneira de pensar acerca de uma situação
gera conteúdos emocionais positivos ou negativos, que são externados
em forma de comentários. Ofertamos ao mundo esses componentes
interiores.
Tanto podemos disseminar bons conteúdos, quanto lançar negatividade
para as pessoas que nos cercam. Pensamentos derrotistas nos fazem
mal, no entanto verbalizá-los é ainda mais prejudicial, pois afetam
a nós mesmos e também a quem nos cerca. Falar a respeito das coisas
ruins aumenta ainda mais a corrente negativa, que se propaga de boca
em boca.
Nem sempre podemos selecionar aquilo que chega aos nossos ouvidos,
tampouco evitar os acontecimentos desagradáveis, mas não somos
obrigados a internalizá-los. Basta não nos identificarmos com esses
conteúdos nocivos, que eles permanecerão fora do nosso mundo. Melhor
ainda é não propagá-los para as pessoas que nos cercam, pois nos
tornamos a estação terminal da negatividade.
Ao ouvir ou vivenciar algo ruim, deixemos aquilo simplesmente
passar, sem dramatizar. Lembremos que depois da tempestade vem a
bonança. Seja positivo!
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