Os malefícios dos horários expandidos no cotidiano




por Valcapelli, colunista ONNE

(Foto: Ilustração)

São Paulo, agosto de 2010 - As atividades diárias têm se estendido e muitas vezes acabam indo noite adentro. O aumento dos afazeres causa uma sensação de que os dias estão mais curtos. Ocupamos mais o tempo, de tal forma que os dias não têm sido suficientes para dar conta das tarefas, exigindo mais e mais trabalho. Alguns profissionais permanecem 24 horas online, enquanto muitos levam afazeres para casa com a finalidade de pôr em dia o seu trabalho.

A sociedade tem se adaptado a isso, e essa é a nova realidade das famílias brasileiras, principalmente nos grandes centros urbanos. Atualmente, muitos serviços como supermercados, fastfoods, postos e outros, são prestados durante 24 horas.

A programação com a família tem ocorrido cada vez mais tarde. Pais trabalham até tarde e filhos chegam tarde da escola ou das atividades extracurriculares. A programação da televisão também se estende noite afora e ainda tem o computador fazendo parte da rotina das pessoas, que gastam seu tempo navegando na internet e por ai vai...

Se esse comportamento, decorrente dos tempos modernos, traz benefícios ou malefícios depende da maneira como cada um vivência o processo. Podemos observar alguns impactos psicoemocionais dessa nova dinâmica sócio-familiar, como segue:

As pessoas que trabalham excessivamente e varam a noite ainda trabalhando em casa têm obviamente um favorecimento para o sucesso profissional. Provar competência e se sobressair na empresa são indispensáveis para o progresso da carreira.

No entanto, quando a pessoa passa a viver em função do trabalho, comprometendo o lazer, as relações afetivas, familiares e sociais, pode estar passando por um momento crítico, fugindo de dificuldades encontradas nestes setores da vida. Decepções amorosas, familiares e outras frustrações podem levar o indivíduo a se envolver exclusivamente com o trabalho. Nesse caso, o campo profissional deixa de ser uma área de realização e passa a representar um mecanismo de compensação ou de fuga.

Dedicar-se ao conhecimento e ao aperfeiçoamento amplia horizontes e aumenta as chances de inserção no mercado de trabalho. Essa conduta também colabora com o desempenho perante o grupo de amigos e familiares. Porém, aqueles que se isolam, passando horas excessivas no computador, estudando ou em frente à TV , reforçam a sua dificuldade nas relações interpessoais.

A impressão que se tem acerca da modernidade é que as pessoas estão se distanciado delas mesmas e comprometendo os laços relacionais e afetivos. A dinâmica frenética do cotidiano parece enfraquecer emocionalmente os indivíduos. Os atrativos tecnológicos tornam algumas pessoas dependentes e alienadas. A independência almejada por muitos trouxe, em alguns casos, a carência emocional.

Usufrua dos privilégios tecnológicos para melhorar a sua qualidade de vida, mas não se desconecte da realidade e não permita que eles sufoquem a sua essência. Cultive as relações sociais e afetivas. Utilize os meios de transporte e de comunicação que encurtam a distância para se aproximar das pessoas queridas. Não perca a condição humana de contentamento e prazer nos envolvimentos. Reserve tempo para apreciar as suas conquistas, sinta-se satisfeito por ter alcançado alguns objetivos.

Torne significativo cada momento de sua existência. Viva tudo o que a vida oferece e seja intenso, mas não negue as suas limitações, se dê apoio e sinta-se bem consigo. Assim o progresso vai beneficiá-lo e não sufocá-lo.

http://www.onne.com.br/materias/lifestyle/14360/cotidiano