O Japão e o desafio do homem na reconstrução das suas vidas



por Valcapelli, colunista ONNE

São Paulo, por Valcapelli, Colunista ONNE
(Foto: Reprodução)


São Paulo, março de 2011 - As catástrofes que assolaram o Japão, o terremoto, o tsunami e o vazamento nuclear, são eventos que provam a impotência do homem diante das poderosas forças naturais ou invisíveis. As pessoas vitimadas por esses fenômenos ficaram desorientadas, perderam as suas referências existenciais. Suas casas foram destruídas e, junto com elas, a sua história de vida; a comunidade em que viviam foi transformada em um monte de entulho. Restou apenas a própria existência. Mas será preciso reconstruir a nova referência de vida, ainda que contando com pouquíssimos recursos emocionais e praticamente sem diretrizes para se conduzir.

A trajetória existencial das pessoas é construída num ambiente que encaminha cada uma para determinada direção, sob influência dos entes queridos, que geralmente as motivam a se tornarem aquilo que eles são. Obviamente o mérito maior é da própria pessoa, que faz as suas escolhas e se empenha para alcançar os seus ideais. Leva tempo para edificar a referência de vida e, de um momento para outro, as tragédias tiram tudo aquilo que as pessoas construíram durante toda a sua existência. O que se vê após essas grandes tragédias são pessoas desorientadas, como se estivessem reunindo “caquinhos” delas próprias para resgatar as suas referências.

Diante de tragédias dessas proporções, o resgate da força dos seres humanos está na união, solidariedade e companheirismo. O lema “a união faz a força” exprime um movimento indispensável em momentos como esse. Quando as pessoas se juntam, fortalecem-se, e, quando alguém se desgarra e começa a agir sozinho, torna-se fraco.
(Foto: Reprodução)

Esse fenômeno pode ser notado no reino animal: quando os animais se juntam, o bando torna-se forte. Observem os pinguins no frio polar: eles se agrupam para permanecer aquecidos e, com isso, vencem o rigoroso inverno; a invernada de búfalos: quando a manada corre numa só direção, faz até estremecer o solo; os predadores: não atacam animais em grupo, esperando encontrar algum que se isole, pois reconhecem sua fraqueza quando se desgarram.

Esses movimentos do reino animal podem ser aplicados para os seres humanos, principalmente nas tragédias. Essa conduta é inata do homem, ele é movido pelo espírito de solidariedade para com os envolvidos; esses, por sua vez, buscam força nas pessoas que estão ao seu lado. Assim, a ajuda humanitária resgata a força que os seres humanos precisam para reconstruírem as suas vidas.

No referido evento pode-se notar a extraordinária disciplina dos japoneses, que não recorreram ao vandalismo após a tragédia. A ordem com que o povo está enfrentando a tragédia intensifica a força de reconstrução de um país que, no passado, sofreu bombardeio atômico na 2ª Guerra Mundial e tornou-se uma potencia mundial, apenas algumas décadas depois.

Os noticiários das TVs mostraram um grupo de brasileiros no aeroporto, que fizeram uma espécie de cerca com as malas e permaneceram agrupados aguardando o embarque. Quando as pessoas agem em grupo, os objetivos em comum tornam-se mais acessíveis.

Uma pessoa se pronunciando isoladamente representa apenas uma voz, que geralmente é desqualificada ou se cala com o tempo. No entanto, a reivindicação de um grupo de pessoas mobiliza mais facilmente a opinião pública, criando um movimento forte e com maior chance de obter os resultados almejados.

Quando a pessoa desenvolve a habilidade para se integrar com aqueles que a cercam, ela aumenta a chance de contar com os outros e de compartilhar os seus anseios, mobilizando mais pessoas para comungarem dos seus ideais. Sozinha é mais difícil a pessoa vencer; já com apoio, seja dos entes queridos, seja dos que comungam dos mesmos objetivos, a vitória se torna mais fácil.

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