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por Valcapelli, colunista ONNE
(Foto:
Ilustração)
São Paulo, setembro de 2010 - A liberdade não deveria depender das
situações externas, ela pode ser constituída na sua essência pela
condição interna. Ser livre é mais um componente do interior do que
dos fatores externos, melhor dizendo, um estado de espírito. É dar
vazão à expressão natural do ser, apesar de se nortear pelas
condições do meio, são os atributos interiores que a produzem. Os
fatores externos não garantem a liberdade, tampouco determinam a sua
perda. As limitações da vida, as restrições econômicas e os limites
sociais não a oprimem.
Vivemos num país livre, como sugere a frase do hino da Proclamação
da República, que transmite essa condição da nação brasileira:
“liberdade abre as asas sobre nós”. No entanto, isso não é
suficiente para que as pessoas se sintam verdadeiramente livres. As
teias emocionais instaladas no interior do ser, restringem a alegria
de viver.
A dependência alheia e as crenças repressoras criam um emaranhado
psicoemocional conflituoso. De um lado, o ser com as suas vontades,
sedento para experimentar as delícias da vida; de outro, os
conceitos internalizados, tais como as crenças proibitivas e as
fragilidades que limitam a própria pessoa, promovendo uma espécie de
aprisionamento emocional.
Vejamos o caso de um indivíduo de meia-idade que já criou três
filhas, todas casadas e independentes. Ele vive com a esposa; nesse
momento vem à tona um sonho antigo do casal, de viajar pelo país
morando numa casa motorizada e levar no interior desse veículo uma
motocicleta. Provavelmente algumas pessoas comungam desse mesmo
desejo.
No caso, a criação de três filhas naturalmente restringe a liberdade
do casal. Porém, existem outros fatores que restringem ainda mais a
liberdade; ele pertence a uma religião com inúmeras crenças
restritivas, que priorizam a instituição religiosa e a comunhão
entre os seguidores. Esses conceitos restritivos podem ser um dos
maiores agravantes da sensação de falta de liberdade, que é
minimizada pelo intenso desejo de sair viajando pelo país para se
sentir livre.
No entanto, se não conseguir se desvencilhar das amarras internas,
nenhum movimento exterior será suficiente para que se sinta
verdadeiramente livre. Como a liberdade deveria estar calcada nos
fatores internos, a mera busca exterior não é eficiente para
conquistá-la. Faz-se necessário realizar um trabalho interior; de
outra forma as tentativas externas resultarão em insucesso.
Aquele que sente que um relacionamento tira a sua liberdade por
exemplo, não se solta para viver um grande amor; permanece preso ao
que os outros vão pensar a seu respeito; tenta agradar de todas as
formas; com isso estabelece constante vigilância quanto à maneira
como se comporta perante as pessoas com que se relaciona. Essa
condição tanto sufoca o sentimento de amor, quanto prejudica a
liberdade.
Não devemos, no entanto, confundir liberdade com libertinagem. O
modo extravagante que algumas pessoas escolhem para viver prova a
falta de fluidez emocional. Geralmente as pessoas desregradas são
aquelas que não conseguem se desvencilhar das amarras da mente ou da
força supressora de algumas crenças limitadoras. Sua conduta
irreverente visa quebrar os paradigmas da própria mente. É a forma
que elas encontraram para experimentar a sensação de ser livres.
Porém essa sensação agradável não perdura, por isso elas precisam
estar sempre buscando novas maneiras extravagantes. Esses
comportamentos são vazios, pois partem de fora para dentro e não de
dentro para fora.
Em primeiro lugar, busque a liberdade interna!
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