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Impacto do negativo e descaso do positivo
Por Valcapelli
Neste
ano de 2011, tive a oportunidade de participar da Ação Global
Nacional, que ocorreu no Parque da Juventude, bairro do Carandiru,
São Paulo. Pude presenciar mais de mil voluntários dedicando um dia
das suas vidas em benefício da população. Segundo informações
veiculadas pela emissora, foram atendidas 90 mil pessoas. Essas
ações ocorreram simultaneamente na maioria dos estados brasileiros,
proporcionando inúmeros benefícios ao povo de todo o país.
O clima era de paz, havia uma atmosfera de gratidão e solidariedade.
Quem trabalhava na Ação demonstrava disposição e boa vontade, e as
pessoas que procuraram os serviços estavam felizes. Presenciar tudo
aquilo foi uma experiência gratificante para mim.
Enquanto tantas coisas boas aconteciam naquele sábado, os
noticiários televisivos transmitiam eventos ruins, tais como: uma
quadrilha do sul do país que roubou caixas eletrônicos; um carro que
despencou numa depressão do quintal da casa, etc. A imprensa
focalizou as ocorrências negativas, que envolveram apenas algumas
pessoas. Tais fatos contrastavam com o que eu havia presenciado
naquele evento que envolveu milhares de pessoas e só foi noticiado
por aproximadamente trinta segundos e por uma só emissora de
televisão. As demais redes nem o citaram.
Os eventos negativos são transmitidos e retransmitidos inúmeras
vezes, bombardeando as pessoas que permanecem em suas casas. Isso
propaga uma ideia de temor e negatividade, contagiando centenas de
milhares de telespectadores, ao passo que as boas ações passam
praticamente despercebidas pela grande maioria da população.
A televisão é uma espécie de janela para o mundo, no entanto, ela
aponta para uma direção que não o resume. A todo momento acontecem
coisas boas, mas infelizmente elas não se propagam.
Na ocasião do casamento do príncipe da Inglaterra, ocorrido
recentemente, eu estava sentado numa padaria tomando o café da
manhã, de frente a uma televisão. Uma cena forte estava sendo
veiculada na emissora; tratava-se mais uma vez de um caixa
eletrônico estourado, uma cena de violenta explosão, mas a
destruição abrangia apenas alguns metros de diâmetro. A forma como
foi captada a imagem fazia parecer um imenso campo de guerra.
Imediatamente, essa imagem foi congelada e substituída pela cena de
um corredor enorme com um suntuoso tapete vermelho de uma igreja da
Inglaterra preparada para a entrada da noiva, a plebéia que se
tornaria princesa.
Naquele momento, lembrei-me da comparação que uma amiga havia feito,
há alguns anos, sobre a diferença entre o Brasil e a Suíça. "No
Brasil" dizia ela, "as coisas ruins são noticiadas maciçamente:
assaltos, criminalidades e outras barbaridades". "Na Suíça não é
assim; quando eu morava lá, saía de manhã e passava numa região onde
ficavam muitos bancos, e via caixas eletrônicos que eram estourados
durante a noite. Os jornais daqueles dias veiculavam os encontros
dos representantes políticos, os acordos firmados para beneficiar a
população. Hoje em dia, os terminais eletrônicos dos bancos Suíços
são preservados e permanecem intactos".
Já no Brasil, quanto mais um assunto é noticiado, mais aumenta a
incidência de casos. Parece que os absurdos não acabam nunca. De
fato, eles acontecem e sempre aconteceram, mas nunca foram
noticiados com tanta frequência nem apavoraram tanto a população,
que fica olhando o mundo pela "janela televisiva".
Vale lembrar que o mundo não é só esse campo de tragédia onde
verdadeiras batalhas são travadas para se permanecer vivo. O mundo
também é um "jardim" onde ocorrem encontros, pessoas são felizes,
estão se relacionando, namorando; existe amizade e não apenas
traição, vingança e jogos de interesses como nas tramas das novelas.
Talvez pareça assustador viver no mundo que a televisão, mas
interagir com a população em ocasiões agradáveis, participar ao vivo
dos fatos, isso sim resume a mágica experiência da vida. Quando
presenciamos os acontecimentos bons, vibramos com eles, manifestamos
os sentimentos mais agradáveis da vida, que "explodem do peito" numa
sensação de felicidade, que poderia ser expressa com esta frase:
"Como é bom viver neste mundo".
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