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por Valcapelli, colunista ONNE
(Foto:
Ilustração)
São Paulo, junho de 2010 - A obesidade infantil atinge índices
alarmantes no Brasil. Isso se deve, em grande parte, à alimentação
incorreta oferecida às crianças. Mas, também devemos levar em
consideração alguns aspectos emocionais, a rotina da família e os
comportamentos, tanto das crianças quanto dos pais.
A vida nas grandes cidades restringe os espaços para os pequenos
correrem, brincarem e pularem. Raramente eles vão ao parque; os pais
não têm tempo para passearem e as casas praticamente não possuem
quintal; muitas moram em prédios sem playground. Geralmente vão à
escola de perua ou os pais as levam de carro, evitando a caminhada.
Nos colégios, por sua vez, as áreas reservadas para atividades
físicas foram reduzidas, quase não tem mais pátio. Sobram poucas
alternativas para as crianças queimarem as calorias e extravasarem
seus impulsos. Resta-lhes a mesa de refeições, onde a impulsividade
para brincar é convertida em desejo de se alimentarem. Essa conduta
pode ocasionar compulsões alimentares, que se tornam um agravante
para a obesidade.
A dinâmica exaustiva de trabalho dos pais reduz o tempo de dedicação
aos filhos; resta-lhes pouco tempo para ficarem com as crianças e
manifestar afeto. Eles passam mais tempo na escola, com as babás ou
cuidadores do que com a família e a relação entre pais e filhos fica
comprometida pelo distanciamento entre ambos. As crianças tornam-se
carentes e quando estão com os pais solicitam demasiada atenção.
Isso desgasta e esgota a paciência, gerando discussões que
comprometem o relacionamento entre eles. Os pais não sabem direito o
que fazer, e os filhos não conhecem os limites da relação familiar.
Quando estão juntos, os pais se tornam exageradamente permissivos;
não impõem limites, tampouco sabem dizer não. Os filhos tornam-se
mimados e, em alguns casos mal educados. Eles percebem a inabilidade
dos pais e se utilizam de apelos e até chantagem, para conseguirem o
que querem.

Não raro, os pais, sentindo-se culpados pela ausência, trazem doces
e guloseimas para minimizar a culpa por estarem distantes; e, quando
estão juntos, “entopem” seus filhos de comida. A criança, por sua
vez, sentindo-se carente emocionalmente, busca o alimento para
preencher o vazio afetivo, excedendo a ingestão de comida, que
provoca o sobrepeso.
Pode-se dizer que é mais fácil dar comida do que atenção aos filhos.
Muitos pais não sabem como ser atenciosos; eles acham que o seu
papel é apenas o de prover o alimento. Não adianta a mãe ir para a
cozinha e somente preparar a comida, é necessário trazer a criança
para perto dela, saber como ela está e como foi seu dia, o que
aconteceu no colégio e assim por diante. Esse diálogo, além de
instrutivo promove a aproximação e torna-se uma boa maneira de dar
carinho.
Não basta a presença física dos pais, é preciso que eles estejam de
“corações abertos” e atentos aos filhos. Sentarem do lado para
assistirem televisão, por exemplo, ou ficarem preocupados com o
trabalho, com os problemas ou no telefone, não supre a criança de
afeto. Faz-se necessário estabelecer um envolvimento afetivo.
Existem ocasiões oportunas para a interação entre pais e filhos,
tais como levá-los para a escola, pegá-los na saída; esses podem ser
momentos valiosos para a troca de afeto. Não se rendam ao comodismo
de alguém que leva à escola ou de uma babá para acompanhar a família
no final de semana. Aproveitem essas ocasiões para a aproximação e
interação de sua família. Nutra o seu filho de afeto para que ele
não axagere nos alimentos.
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