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por Valcapelli, colunista ONNE
(Foto:
Ilustração)
São Paulo, agosto de 2010 - Numa estrada sinuosa e com muitas curvas
havia uma criança, suas pernas eram frágeis e ela tateava em
qualquer direção, quando uma mão firme se estende para ela e diz:
venha! Era seu pai. Ela agarra essa mão que a transmite segurança e
firmeza. Seu pai mostra a direção e apresenta-lhe o que existe ao
lado da estrada.
A criança cresce, suas pernas vão se fortalecendo, as mãos começam a
se soltar e ela passa a fazer suas próprias escolhas. Já madura,
percorre independente para a direção que ela própria escolheu.
Durante o trajeto da vida, surgem crianças ao seu lado. As mãos,
agora vigorosas, daquela criança que antes era conduzida pelo pai,
oferecem apoio e segurança, permitindo caminhar lado a lado.
Geralmente quando nos referimos ao Dia dos Pais, imediatamente nos
reportamos ao nosso próprio pai; depois damos conta que também somos
pais. Essa busca por uma referência paterna não é simples associação
mental; existe grande influência entre a relação que tivemos com o
nosso pai, com a maneira que somos com os nossos filhos. Herdamos do
progenitor o modelo de relacionamento pai e filho.
Em alguns casos nota-se no comportamento do pai um mecanismo de
compensação. Aquilo que ele não recebeu quando criança, procura
proporcionar aos seus filhos. Nem se dá conta, que está fazendo o
que gostaria de ter recebido na infância. Esse procedimento pode
gerar surpresas desagradáveis; o pai se esforça para fazer tudo
pelos filhos e eles se queixam que não receberam o que esperavam,
desqualificando os esforços paternos.
Existem algumas condutas que caracterizam a figura paterna; dentre
elas destacam-se:
(Foto: Ilustração)

Pais nutritivos - São companheiros, afetuosos, manifestam carinho e
incentivam seus filhos a superar os obstáculos e não se abater
diante das dificuldades.
Pais provedores - São aqueles que priorizam a estabilidade
financeira da família; “mergulham” no trabalho para prover recursos
materiais e garantir a sobrevivência econômica da família. Não
percebem as reais necessidades dos filhos, tampouco acompanham o seu
desenvolvimento emocional, restringem o diálogo enfraquecendo os
laços afetivos.
Pais exigentes - Até certo ponto as exigências para com os filhos
promovem o desenvolvimento deles. No entanto o excesso de cobrança e
as críticas conspiram a favor das frustrações. Essa conduta acentua
a insatisfação conspirando para o fracasso.
Os pais influenciam no desenvolvimento dos filhos, mas não
determinam sua conduta de vida. Cada pessoa é responsável pelas suas
próprias escolhas. Não se deve atribuir à figura paterna a causa dos
fracassos. O pai fez o melhor que podia ou do jeito que ele sabia na
ocasião.
Os filhos absorvem do pai aquilo que condiz com a sua própria
índole. Pode-se dizer que os pais oferecem recursos para o
desenvolvimento da personalidade, bem como os meios para a inserção
na sociedade e para as conquistas profissionais. Cabe aos filhos
tirarem o melhor proveito daquilo que lhes foi proporcionado e
descartarem os pontos negativos da relação pai e filho.
O bom pai é aquele que acompanha e incentiva e não aquele que toma
para si as dores e os problemas, eximindo as responsabilidades dos
filhos. Essa conduta enfraquece o filho em vez de prepará-lo para a
vida. O pai não precisa ser uma comparsa dos filhos, basta estar
presente e participar dos momentos de dificuldade e de insegurança.
Seja um pai carinhoso, não deixe que o estereótipo de rudez
característico da figura masculina, reprima o seu potencial afetivo.
Mantenha uma relação de amizade e de companheirismo com os seus
filhos. Feliz Dia dos Pais!
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