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por Valcapelli, colunista ONNE
(Foto:
Ilustração)
São São Paulo, julho de 2010 - As manchetes de crimes e de abusos
morais e físicos veiculados pela mídia nos últimos dias revelam
desfechos dramáticos, que podem ocorrer em função das relações
conturbadas. Dentre os principais aspectos emocionais e afetivos
causadores dos conflitos relacionais destacam-se o ciúme, a
independência da mulher, a baixa autoestima e falta de autovalor.
A pessoa ciumenta é insegura, geralmente possui baixa autoestima e
sentimento de inferioridade; mesmo possuindo melhores condições
sociais ou financeiras, emocionalmente se sente inferior. Ela não se
julga merecedora de alguém tão especial ao seu lado. Essas
fragilidades emocionais são projetadas na relação, enfraquecendo os
laços afetivos com as cobranças e desconfiando de tudo o que o(a)
parceiro(a) faz.
Qualquer aproximação de alguém do sexo oposto representa uma ameaça
à sua felicidade amorosa. As repetições dos episódios de ciúmes e as
suposições absurdas feitas pela pessoa ciumenta tornam-se uma
obsessão; isso enfraquece os laços afetivos e provoca uma série de
conflitos no relacionamento.
A independência da mulher tem sido apontada como uma das causas de
conflitos amorosos. Essa nova conduta feminina às vezes assusta
alguns homens. Por outro lado, aqueles que são seguros de si
respeitam os espaços da sua parceira e constroem estratégias
relacionais saudáveis para ambos os lados.
(Foto: Ilustração)

No entanto, os homens inseguros perdem o seu referencial diante da
parceira e não sabem lidar com essa descaracterização do papel
masculino; alguns apelam para as críticas, no intuito de
descaracterizar as ações da parceira, outros tornam-se estúpidos,
para fragilizá-las. Esses conflitos provocam grandes turbulências na
relação. A mulher acaba sofrendo pela fraqueza masculina, quando o
problema na verdade está nele e não nos direitos e atributos
femininos.
As mulheres que amam exageradamente e se submetem a verdadeiros
absurdos e até a alguns requintes de crueldade, para manterem o
relacionamento, demonstram o seu desvalor e a falta de respeito
próprio. Elas se encontram imersas numa espécie de “emaranhado
relacional” e não conseguem se libertar.
O envolvimento neurótico e doentio representa riscos para ambos os
lados e as relações perigosas podem se tornar fatais. As pessoas
envolvidas nem sempre se dão conta do perigo a que estão expostas.
Elas próprias não conseguem pôr fim ao relacionamento. Muitas vezes
é preciso a intervenção dos entes queridos. Uma família estruturada
pode evitar o pior desfecho.
Porém, cabe à própria pessoa envolvida tomar atitudes para minimizar
os riscos e, se for o caso, cortar os vínculos. Em alguns casos os
conflitos são tão intensos que é preciso muita cautela para as
pessoas se libertarem do emaranhado e saírem ilesas do envolvimento.
A consciência dos riscos existentes nas relações perigosas,
principalmente por parte dos próprios envolvidos, é o primeiro passo
para quebrar os vínculos nocivos e transformar ou romper o
relacionamento. Dentre os fatores determinantes para o rompimento
dos vínculos de amor e ódio que permeiam essas relações, destacam-se
a autoestima e o respeito próprio. Uma pessoa que tem amor-próprio
não se sujeita a permanecer numa relação doentia. Quando o
envolvimento começa a ficar neurótico, ela “corta” o mau pela raiz;
não admite nenhum tipo de excesso, sob ameaça de rompimento
definitivo. Desse modo, ou a relação melhora ou acaba de vez.
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